Transcrição
O Brasil atingiu em 2025 um marco na vigilância do desmatamento: pela primeira vez, desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil foram desmatados 984.794 hectares no país, uma redução de 20,6% em relação a 2024. Nos últimos sete anos, o Brasil perdeu 10.913.064 hectares de vegetação nativa, área superior ao estado de Pernambuco. Apesar da redução do desmatamento em todos os biomas, os números ainda preocupam. A média da área derrubada por dia foi cerca de 2.600 hectares, mais ou menos 17 parques do Ibirapuera, maior parque urbano da cidade de São Paulo. Quase todo o desmatamento no país, 99%, foi causado pela expansão da agropecuária no ano passado, segundo o levantamento. O consultor legislativo do Senado, Tiago Ducatti, especializado na área de meio ambiente, afirmou que houve um avanço real nos dados de 2025 e explicou sobre a diferença para os anos anteriores.
(Tiago Ducatti) – É realmente a diminuição, tanto no número de alertas quanto no total de área desmatada. De 2021 para cá, tem algumas oscilações, mas de 2022, 2023 em diante, a gente tem percebido uma queda, tanto no número de alertas de desmatamento emitido pelo ‘Mapbiomas’ quanto na área total desmatada.
O Pantanal foi o bioma que registrou a maior redução proporcional no desmatamento. Foi observada uma queda de 48,4% na área degradada. Por outro lado, o relatório mostra que Amazônia e Cerrado responderam, juntos, por mais de 84% de toda a área desmatada em 2025. O Cerrado permanece como o bioma com a maior área desmatada, concentrando sozinho 54,9% do desmatamento do país, apesar da queda de 16,9% em relação a 2024.
(Tiago Ducatti) – As principais bacias hidrográficas do Brasil, exceto a Amazônia, nascem no Cerrado. E aí a gente tem o Cerrado sendo a área mais desmatada, principalmente na região do Matopiba, Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia, tem as maiores áreas, as áreas mais extensas desmatadas nesse ano.
Tiago Ducatti destacou que a metodologia do ‘Mapbiomas’ não leva em consideração o chamado manejo florestal, que são cortes de árvores isoladas e nem a degaradação ambiental causada por incêndios. Ele explicou que o documento não faz julgamento sobre a legalidade dos desmatamentos.
(Tiago Ducatti) – Um proprietário rural que esteja com o seu imóvel registrado no cadastro ambiental rural preserve a sua reserva legal e a sua área de preservação permanente, ele pode utilizar a área de uso alternativo do solo para poder então destinar alguma atividade normalmente agropecuária, silvicultura. Essa região, essa área, ela pode ser desmatada se ela tiver autorização do órgão ou entidade ambiental estadual.
O Relatório do ‘Mapbiomas’ reúne dados consolidados de desmatamento de todo o Brasil. Ele analisa os alertas de desmatamento detectados entre 2019 e 2025, e que foram validados e refinados sobre imagens de satélite de alta resolução pelo ‘Mapbiomas Alerta’. Da Rádio Senado, Pedro Pincer.
















